SBT Bragança faz reportagem sobre o FICCA na Casa do Poeta Caeté
- Francisco Weyl
- 1 de ago.
- 5 min de leitura
Atualizado: 7 de ago.
Encontro fortalece a Casa do Poeta como polo cultural da Marambaia e celebra os 10 anos do festival que conecta cinema, território e resistência
No último dia 31 de julho de 2025, a Casa do Poeta, localizada na comunidade da Marambaia, Belém, foi o cenário de um importante encontro de pré-produção para a reportagem sobre a 10ª edição do Festival Internacional de Cinema do Caeté (FICCA). A matéria será veiculada pelo SBT Bragança, sob a condução do repórter Ruan Brito, e terá como base as imagens captadas durante esse encontro, que reuniu a equipe do festival, lideranças culturais locais e colaboradores.
As filmagens foram realizadas por Marcelo Rodrigues, diretor de fotografia e coordenador pedagógico das oficinas audiovisuais do FICCA, com assistência da produtora Jass Saldanha. Estiveram presentes também a produtora executiva do festival, Roberta Mártires, além de músicos como Frank e representantes de diversos coletivos culturais — entre eles Cuité Marambaia, o educador e poeta Prof. Wilson, do Cordel do Urubu, Jota B, da Confraria do Jota, e o anfitrião do espaço, o Poeta Caeté, entre outros parceiros como Antônio, Valentino, Cristina.
Casa do Poeta: um centro cultural em fortalecimento
A Casa do Poeta tem se consolidado como um polo cultural orgânico e pulsante na Marambaia, reunindo coletivos, artistas e agentes sociais a partir do trabalho contínuo e afetivo de seu idealizador, o Poeta Caeté. Ali, diferentes expressões culturais — da literatura ao audiovisual, da música à oralidade — se encontram e se multiplicam, tornando o espaço um centro cultural comunitário em permanente fortalecimento.
É nesse espaço enraizado que o FICCA planta e colhe parte de sua potência, em Belém. A reunião do dia 31, além de uma ação de pré-produção jornalística, reafirmou a Casa do Poeta como território de articulação, criação e escuta coletiva.
FICCA: um festival em movimento, de Belém à Zona Bragantina
Criado em 2014 por Francisco Weyl, poeta, jornalista e pesquisador da estética das resistências, o FICCA é um festival de cinema — e um processo formativo, artístico e político que percorre geografias diversas, do Marajó a Cabo Verde, passando por Portugal, e da metrópole de Belém às comunidades da Zona Bragantina, promovendo a circulação de ideias, saberes e estéticas contra-hegemônicas.
O FICCA aposta na formação crítica e afetiva por meio do cinema, promovendo oficinas comunitárias, mostras itinerantes, rodas de conversa, produção de filmes coletivos e intercâmbios culturais entre artistas do Brasil e de países de língua portuguesa. A cada edição, eleciona e premia filmes, mas o festival também forma olhares, constrói consciências e estimula o protagonismo cultural de territórios historicamente marginalizados.
Cinemas das beiras, florestas e periferias
Fiel à proposta de "dar voz às beiras, florestas, periferias e territórios esquecidos", o FICCA desenvolve uma curadoria sensível à ancestralidade, à gambiarra como estética criativa popular e ao afeto como ferramenta política. Os filmes exibidos no festival, muitos deles produzidos coletivamente nas oficinas do próprio FICCA, abordam temas como justiça social, preservação ambiental, identidade de gênero, resistência negra e memória quilombola.
As ações vão muito além das telas: são práticas contínuas de formação cultural que atuam diretamente na construção de uma ética do cuidado, da escuta e da diversidade. O festival se destaca por sua capacidade de quebrar silêncios coloniais e abrir espaço para narrativas que raramente chegam ao circuito comercial do cinema.
Reportagem no SBT: mais uma janela para o território
A matéria que será exibida no SBT Bragança tem como objetivo ampliar o alcance das vozes que fazem o FICCA acontecer. O repórter Ruan Brito, responsável pela reportagem, terá à disposição as imagens captadas na Casa do Poeta por Marcelo Rodrigues, que além de cineasta é educador audiovisual, responsável por conduzir oficinas de cinema junto a jovens e coletivos.
A presença da produtora Jass Saldanha e de Roberta Mártires, na produção executiva, garantiu que o material audiovisual registrasse não apenas depoimentos e bastidores, mas também a pulsação viva de um movimento que transforma o cinema em ferramenta de pertencimento e autonomia cultural.
10ª edição em construção: inscrições prorrogadas e convites abertos
Com inscrições prorrogadas até 15 de Agosto para contemplar ainda mais realizadores e coletivos populares, a 10ª edição do FICCA promete ser uma celebração da trajetória construída até aqui. A edição de 2025 contará com mostras competitivas e paralelas, exibições ao ar livre, atividades formativas e experiências interativas, promovendo uma escuta ativa entre criadores e público.
Todos estão convidados a participar: seja inscrevendo seus filmes, participando das oficinas, integrando as rodas de conversa ou apenas ocupando as praças, escolas, praias e palcos improvisados por onde o FICCA passa.
Encerramento: quando a arte se torna território
O encontro na Casa do Poeta é mais uma expressão concreta de que o FICCA não é um evento estático, mas um festival em movimento, que se alimenta do território para devolver a ele aquilo que o sistema cultural tradicional muitas vezes nega: voz, visibilidade e potência criadora.
Ao registrar e preparar a reportagem que será exibida em Bragança, o festival reafirma seu compromisso com a formação ética, social e ambiental por meio da arte — apostando na produção audiovisual coletiva, na escuta das margens e na radicalidade afetiva de um cinema feito com o povo e para o povo.
Créditos do Encontro na Casa do Poeta
Francisco Weyl – idealizador e curador do FICCA
Cuité Marambaia – artista e parceiro fundador do festival
Marcelo Rodrigues – diretor de fotografia e coordenador das oficinas audiovisuais
Jass Saldanha – produtora assistente
Roberta Mártires – produtora executiva
Ruan Brito – repórter do SBT Bragança
Poeta Caeté – anfitrião da Casa do Poeta
Professor Wilson – Cordel do Urubu
Jota B – Confraria do Jota
Vagalume, Frank e outros músicos e coletivos locais
·
O FICCA segue. Em movimento. Em comunidade. Em resistência.
REALIZAÇÃO: X FICCA – Festival Internacional de Cinema do Caeté / Arte Usina Caeté
PATROCÍNIO: Governo Federal/Ministério da Cultura; Governo do Pará/Secretaria de Cultura/Fundação Cultural do Pará, através da PNAB e Lei Semear; do Instituto Sustentabilidade da Amazônia com Ciência e Inovação; e Casa Poranga e de Seu Rompe Mato
APOIO CULTURAL: Multifário; Associação Remanescentes de Quilombolas do Torre/Tracuateua; Grupo de Pesquisas PERAU-PPGARTES-UFPA; Academia de Letras do Brasil; ALB-Bragança; Henrique Brito Avocacia.
APOIO INTERNACIONAL: Livraria Independente Gato Vadio (Porto); BEI Film; Escola Superior de Teatro e Cinema - Instituto Politécnico de Lisboa; Associação Nacional de Cinema e Audiovisual de Cabo Verde; Fundação Servir Cinema Cinema - Cabo Verde
PARCERIA: BRAGANÇA: CVC; Pousada de Ajuruteua; Pousada Casa Madrid; Pousada Aruans Casarão; Mexericos na Maré; Paróquia de São João Batista; AUGUSTO CORREA: Escola Lauro Barbosa dos Santos Cordeiro - Patal; EMEF André Alves – Nova Olinda, Augusto Corrêa. PRIMAVERA: Vereador Waldeir Reis; Espaço Cultural Casa da Vó Zinha; Carimbó do Nilo; Associação dos Produtores de Guarumandeua; Associação das Famílias Reunidas do Jabaroca; Grupo de Carimbó Raio se Sol; QUATIPURU: Monóculo da Vovó; Associação Quilombola de Sacatandeua; ANANINDEUA: Centro Cultural Rosa Luxemburgo; BELÉM: Cordel do Urubu; Vagalume Boi Bumbá da Marambaia; Cine Curau; Casa do Poeta Caeté.

FOTO Marcelo Rodrigues
Comentários