Rio Caeté

Atualizado: Mar 18



Ka'aeté é uma palavra de origem Tupy que significa mata virgem, densa: “ka'a”, mata; “eté”, verdadeira (NAVARRO, 2013, 550).

No Século Sec. XVI, os índios Caetés habitavam parte do Nordeste do Brasil, desde a ilha de Itamaracá, até as margens do rio São Francisco, área limitada pelos potiguaras, ao norte e, ao sul, pelos tupinambás.

Mas, os índios foram considerados “inimigos da civilização” pela Inquisição, por, supostamente, praticar um ritual antropofágico com o corpo de Dom Pero Fernandes Sardinha, primeiro Bispo do Brasil (BUENO, 2003, 18,19).


O Caeté é o rio que banha a minha aldeia. (FRANCISCO WEYL).


Junto com o nascer da Lua, por detrás das matas do Camutá, seu espelho revela um espetáculo mágico aos moradores e visitantes da cidade de Bragança do Pará.


Da orla desta cidade, partem e chegam diariamente dezenas de embarcações com peixe, produto que alimenta grande parte da economia.


Com 115 quilômetros de extensão, antes de desaguar no Atlântico, o rio atravessa e influencia o trabalho e a vida de diversas comunidades do nordeste paraense.

Nasce na cidade de Bonito, banha Arraial do Caeté (Ourém), e Tentugal (Santa Luzia), e percorre algumas comunidades bragantinas.


Outrora navegável, o Caeté ainda não morreu porque as rodovias, que acabaram com as estradas de ferro, retiraram as comunidades de suas margens, desde a década de 1960.


E, apesar de receber as águas de rios como Jequi, Cajueiro, e Curi, à margem direita; e de pequenos igarapés, à margem esquerda, o Caeté apresenta trechos pouco profundos.


Em 2014, o canoísta Pedro Paulo Sousa fez o percurso épico desde a nascente até a foz, e observou que alguns fazendeiros transformam o leito do Caeté em lixeira.



Atiram detritos e resíduos, restos de tocos, e galhos de árvores, que eles próprios derrubam em suas terras.


O fechamento dos afluentes corrobora para que o Caeté baixe o seu leito e dificulte a sua navegabilidade.


O canoísta comprovou o “riocídio”: o rio se torna mais poluído a partir das Vilas de Mocajuba e do Arimbú (Bragança), provavelmente, sob influência de alguns afluentes, a partir deste trecho.


É, portanto, em defesa deste rio, das memórias de seus narradores, navegadores, dos extrativistas, e das comunidades ribeirinhas da Região do Caeté, que nasceu o Festival Internacional de Cinema do Caeté.


FW



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