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X FICCA LANÇA FILME EM HOMENAGEM A JOSÉ RIBAMAR GOMES DE OLIVEIRA

  • Foto do escritor: Francisco Weyl
    Francisco Weyl
  • 1 de dez. de 2025
  • 6 min de leitura

O X Festival Internacional de Cinema do Caeté – FICCA dedica sua homenagem especial de 2025 ao professor, pesquisador, e escritor José Ribamar Gomes de Oliveira, cuja atuação intelectual, política, comunitária e pedagógica marcou profundamente Bragança do Pará e toda a região do Caeté. Professor Ribamar faria a conferência de abertura do festival, sendo sua fala sobre a História do Cinema em Bragança, mas infelizmente, partiu.

Entretanto, o festival, que completa dez anos de caminhada territorial, fará valer sua presença, reconhecendo em Ribamar uma das presenças mais luminosas que acompanharam a difusão da Cultura de Bragança e do nordeste paraense.

A homenagem reúne cinema, memória, afeto e história – como tudo o que constitui o próprio FICCA – e se materializa na exibição do filme “Alma das Ruas”, obra dirigida por Francisco Weyl, com correalização de Cristovam Pamplona Neto, fruto de um projeto audiovisual iniciado ainda em 2017, num momento decisivo da vida cultural bragantina.

Uma história que começa em 2017 e se transforma em cinema

Em 2017, Francisco Weyl e Cristovam Pamplona Neto – ambos pesquisadores e realizadores, cada qual em percursos que se encontravam no estudo da história do cinema em Bragança – entrevistaram o professor José Ribamar para dois projetos diferentes, mas que nasceram do mesmo impulso: registrar a memória cinematográfica do Caeté e pensar o papel da cultura na resistência amazônida.

Naquele momento, Weyl desenvolvia um projeto que tratava do cinema de guerrilha no território, enquanto Cristovam conduzia uma pesquisa audiovisual para a Universidade Federal do Pará sobre a história do cinema em Bragança. Os dois projetos tinham autonomia, mas dialogavam intensamente. A entrevista concedida por Ribamar, realizada no mesmo encontro e gravada para ambos os trabalhos, tornou-se um ponto de convergência – pela densidade de suas reflexões, pela lucidez com que articulava cinema, cultura, história e vida comunitária, e pelo afeto com que tratava a cidade e seus criadores.

Dessa matriz comum, surgiram duas ramificações audiovisuais, como dois troncos que brotam de uma mesma raiz. Ao longo dos anos, as imagens foram revisitadas, reorganizadas, reenquadradas, sempre com o entendimento de que a força da palavra de Ribamar merecia ser reconhecida publicamente. E assim nasceu a ideia de transformar esse material em um gesto único de memória, convergindo caminhos e partilhas.

Essa convergência, que sempre esteve presente na intenção de ambos os realizadores, materializa-se agora com a exibição de “Alma das Ruas”, apresentado ao público bragantino no Salão Beneditino, como parte da celebração dos dez anos do FICCA.

O significado de Ribamar para o território

Professor José Ribamar Gomes de Oliveira fez do conhecimento uma forma de generosidade. Sua trajetória atravessou salas de aula, bibliotecas, ruas, cineclubes, encontros culturais e movimentos comunitários. Foi pesquisador rigoroso, crítico atento, leitor sensível e professor de uma delicadeza firme, cuja palavra sempre chamava ao cuidado com a história e com as pessoas.

Escreveu, orientou, incentivou, acolheu e formou gerações de artistas, pesquisadores e professores. Sua presença intelectual não se restringiu à academia: foi homem do território, do diálogo, do afeto e da construção coletiva.

Para o FICCA, Ribamar é mais que referência: é fundamento. Foi ele quem convidou Francisco Weyl para compor a Academia de Letras do Brasil em Bragança, fortalecendo uma relação de trabalho e aprendizagem que se prolongou por anos. O festival reconhece, nesta homenagem, a importância desse gesto, que abriu caminhos, parcerias e modos de pensar o cinema a partir da Amazônia Atlântica.

Uma homenagem compartilhada com a família

A homenagem prestada pelo X FICCA também reconhece a presença afetiva da família do professor Ribamar. No Salão Beneditino, a palavra de sua esposa, Maria Inês Ribeiro de Oliveira, representa o elo entre vida, memória e continuidade. Sua fala não apenas honra o professor, mas reafirma o amor e o compromisso coletivo com o legado deixado por ele.

É um momento que não trata de perda, mas de permanência – porque o cinema, quando nasce do território, transforma memória em futuro.

Um filme como gesto de gratidão

Alma das Ruas” é um registro documental e um gesto ético e afetivo. Um filme que reconhece um mestre e que devolve ao território a potência de sua própria história. Um filme que nasce do encontro entre dois realizadores – Francisco Weyl e Cristovam Pamplona Neto – que, desde 2017, compreendem a importância de preservar a memória audiovisual de Bragança para as próximas gerações.

A exibição no próximo dia 8 de Dezembro de 2025 no Salão Beneditino será devidamente acompanhada de silêncio atento, de emoção e de reconhecimento, abrindo caminho para que o festival, em sua dezena, reafirmasse que cinema é memória, ancestralidade, política e resistência.

O lugar de Ribamar na narrativa do FICCA

O FICCA nasceu caminhando entre feiras, praias, quilombos, escolas, praças e comunidades. Nasceu da escuta, da convivência e da generosidade de mestres que ensinaram que cinema é gesto coletivo. Ribamar é um desses mestres. Sua presença amplia o sentido de dez anos de festival, porque sintetiza aquilo que o FICCA procura fortalecer:

• a memória como exercício político• a educação como forma de resistência• a cultura como território vivo• o cinema como ferramenta de transformação

Ao homenagear Ribamar, o festival homenageia todos os que fundam e alimentam esta caminhada. Todos os que, como ele, transformam saberes em caminhos e história em horizonte.

Esta homenagem é, sobretudo, uma promessa

A promessa de que sua trajetória não será esquecida. De que sua palavra seguirá iluminando pesquisas, filmes, debates, oficinas e os tantos gestos comunitários que fazem do FICCA um festival amazônida, popular, antissistêmico e transatlântico.

O FICCA se enraíza para seguir caminhando. E caminha, agora, carregando a memória viva do professor José Ribamar Gomes de Oliveira.


CARPINTEIRO DE POESIA




Cartaz do filme “A Alma das Ruas”. A imagem principal mostra um homem idoso, de óculos e camisa listrada azul-clara, sentado e segurando um grande livro de capa marrom intitulado “Alma das Ruas”. A foto é inclinada de baixo para cima, destacando o gesto dele ao folhear o livro e o ambiente externo ao redor, com árvores desfocadas ao fundo.

Na parte superior esquerda do cartaz há um triângulo preto com o título “A Alma das Ruas”, escrito em letras amarelas curvas ao longo da diagonal. Abaixo desse título, também em amarelo, os nomes “Francisco Weyl e Christovam Pamplona Neto”.

No lado superior direito, sobre fundo preto, aparece a marca do “Festival Internacional de Cinema do Caeté”, com a palavra “CAETÉ” escrita em amarelo intenso.

No canto inferior direito, outro triângulo escuro contém a frase “A partir da obra do Imortal José Ribamar Gomes de Oliveira”, também em letras amarelas.

Na parte inferior, sobre uma faixa preta, estão alinhados vários logos institucionais em branco ou coloridos: o símbolo do FICCA, figuras culturais e emblemas da Academia de Letras do Brasil — Seccional Bragança do Pará, entre outros parceiros.

O conjunto do cartaz combina fotografia documental e elementos gráficos escuros com tipografia amarela, transmitindo a atmosfera de memória e homenagem que caracteriza o filme.


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X FICCA – Festival Internacional de Cinema do Caeté – Ano 10

Projeto aprovado pelo Edital n° 005/2025 – Fomento à Circulação de Projetos Culturais (PNAB), Segmento Patrimônio Cultural Material, com apoio do Ministério da Cultura e da Secretaria de Cultura do Estado do Pará (SECULT/PA)

REALIZAÇÃO: Governo Federal/Ministério da Cultura; Governo do Pará/Secretaria de Cultura/Fundação Cultural do Pará, através da PNAB e Lei Semear

PATROCÍNIO: Fundação Guamá, Parque de Ciência e Tecnologia - Guamá; Instituto Sustentabilidade da Amazônia com Ciência e Inovação; e Casa Poranga e de Seu Rompe Mato

APOIO CULTURAL: Multifário; Associação Remanescentes de Quilombolas do Torre/Tracuateua; Grupo de Pesquisas Perau-PPGArtes-Ufpa; Academia de Letras do Brasil; ALB-Bragança; Henrique Brito Advocacia

APOIO INTERNACIONAL: Livraria Independente Gato Vadio (Porto); BEI Film; Escola Superior de Teatro e Cinema - Instituto Politécnico de Lisboa; Associação Nacional de Cinema e Audiovisual de Cabo Verde; Fundação Servir Cinema Cinema - Cabo Verde

PARCERIA: BRAGANÇA: Prefeitura e Secretaria Municipal de Cultura; CVC; Projeto Aluno Repórter; Hotel Pousada de Ajuruteua; Pousada Casa Madrid; Pousada Aruans Casarão; Mexericos na Maré; Paróquia de São João Batista; Restaurante Cantinho da Vilá; Restaurante São Benedito; Restaurante Benquerença; Nossa Casa da Praia; AUGUSTO CORREA: Prefeitura e Secretaria Municipal de Cultura; Escola Lauro Barbosa dos Santos Cordeiro - Patal; EMEF André Alves – Nova Olinda. Cineclube Urumajó; Cineclube Uru PRIMAVERA: Vereador Waldeir Reis; Espaço Cultural Casa da Vozinha; Associação dos Produtores de Guarumandeua; Associação dos Agricultores de Siquiriba; QUATIPURU: Monóculo da Vovó; Associação Quilombola de Sacatandeua; ANANINDEUA: Centro Cultural Rosa Luxemburgo; BELÉM: Escola República de Portugal; Escola Madalena Raad; Cordel do Urubu; Vagalume Boi Bumbá da Marambaia; Cine Curau; Casa do Poeta Caeté.

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COORD. PEDAGÓGICA: ROSILENE CORDEIRO / MARCELO SILVA

COORDENAÇÃO: Francisco Weyl

COORD. PRODUÇÃO: Roberta Mártires

@ficcacinema

 
 
 

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