A Linha da Memória no FICCA: Prêmios e Reconhecimentos a quem constrói e defende os conhecimentos Tradicionais e os Direitos Humanos
- Francisco Weyl

- há 1 dia
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Atualizado: há 3 horas
Uma das linhas que se entrecruzam nas políticas e nas poéticas pedagógicas do Festival Internacional de Cinema do Caeté é a linha da memória. A memória é o espaço de reconhecimento e de afirmação de uma longevidade, de um determinado conhecimento, de um determinado saber que expressa uma categoria, uma camada, um corpus, um território social e cultural. É dentro dessa dimensão da memória que ilumina um campo de premiações, um campo de referências, um campo de reverências a muitas pessoas, personalidades masculinas, femininas, trans, diversificadas.
Então, são diversas categorias que nós afirmamos nesse campo da periferia, nesse grande campo da periferia que nós chamamos de campo da resistência. Para nós, o simbolismo da periferia é o simbolismo da resistência, independentemente das classes, das categorias, dos gêneros, das sexualidades, das etnias e das diversas categorias, populações e territórios interiores a esse grande campo da periferia, que é o campo dos oprimidos, o campo dos explorados e, fundamentalmente, é também o campo daqueles que lutam, que têm consciência da sua realidade e afirmam essa sua historicidade.
Então, no campo da linha da memória, nesse campo da memória, esse é o nosso entendimento. Historicamente, para nós é uma honra poder reverenciar esses camaradas e essas camaradas que já se foram, mas também aqueles que cá estão antes de nós. Então, o FICCA - Festival Internacional de Cinema do Caeté, quando ele entrega um prêmio, nós temos consciência de que estamos entregando toda a história desse festival.
E essa história desse festival não é uma história individual, não é tudo que está na cabeça do Weyl. É uma história de diversos coletivos articulados a partir dos diversos coletivos nos quais o carpinteiro inventa, reinventa, desmancha, constrói, reconstrói, participa, fortalece, divulga, difunde. O Carpinteiro não está só nessa jornada, porque o FICCA - Festival Internacional de Cinema do Caeté são diversas redes e diversos coletivos.
Então, quando entregamos um prêmio, entregamos também a força de todos esses coletivos ao premiado. Do mesmo modo, quando reconhecemos com um prêmio uma determinada pessoa, estamos fortalecendo toda a história desses coletivos de luta, de resistência, desses artistas que têm essa mesma pegada do festival. Porque, quando nós vamos homenagear alguém pela sua luta, pela sua arte, estamos homenageando essa relação, essa longevidade, esse saber, esse conhecimento, essa história, essa luta que a nós pertence, que nós pertencemos a esses camaradas e essas camaradas, e com os quais nós nos identificamos.
Então, quando nomeamos esse prêmio, nomeamos com essa tradição, com essa memória, com essa força. E, quando entregamos um prêmio, entregamos tudo isso. Entregamos todas essas redes que fortalecem o festival.
Todas essas redes que constroem o festival: pessoas, entidades, cada um que está dentro do festival é uma grande rede que vem para o festival. Então, quando o festival entrega um prêmio, ele está entregando, reverenciando toda essa rede e a pessoa que merece esse prêmio.
Nós temos essa honra, nós temos essa tradição. Isso faz parte do reconhecimento daqueles que são de luta, que fazem a cultura na sua cidade, no seu país, na sua história, que fazem a política, que fazem a resistência. Então, nós temos muita honra, este ano, de estar homenageando o realizador Paulo Miranda com o prêmio denominado Tecnologia do Possível.
Paulo Miranda é o realizador homenageado por este festival neste ano de 2025. Desde janeiro estamos saudando a sua memória. E, para finalizar o nosso festival, criamos também mais dois prêmios, para saudar o Joseni Santos e o Joel Santos, ambos santos da Marambaia, que tinham uma atuação forte na Marambaia, na área da cultura e na área da política. Nomeamos o prêmio Estéticas de Guerrilha em homenagem ao Joel Antônio dos Santos e nomeamos o prêmio Poética da Gambiarra em homenagem ao Joseni Santos.
Estamos entregando esses prêmios aos realizadores, às realizadoras, e reverenciando esses três camaradas. Com muita honra, com muito orgulho, neste ano de 2025. Mas é preciso afirmar essa tradição do FICcA, e ao homenagearmos esses camaradas que já se foram, que já se passaram, e muitos desses que estão vivos, neste momento estamos nessa retomada desse reconhecimento das suas memórias.
Nota Final
Ao reunir os prêmios concedidos entre 2016 e 2025, o FICCA reafirma sua tradição de reconhecer artistas e ativistas que fazem da memória, da luta e da cultura os pilares de suas trajetórias. Nesse período, o festival homenageou nomes como Arthur Leandro, Padre Bruno Sechi, Cláudio Cardoso, Egídio Sales Filho, Paulinho Fonteles, Gabriel Pimenta, Paulo Paulino Guajajara, Irmã Dorothy, Dema, Marga Rothe, Jaime Teixeira, Paulo Fonteles, Isa Cunha e outros que receberam distinções em categorias diversas — do Grande Prêmio de Documentário aos prêmios de Ficção, Animação, Direitos Humanos e Melhor Filme Educativo. A essa linha se somam as homenagens de 2025, com os prêmios Poéticas das Gambiarras, Estéticas de Guerrilha e Tecnologias do Possível, dedicados a Joseny Santos, Joel Antônio dos Santos e Paulo Miranda. Assim, esta década de premiações revela um percurso plural, que valoriza diferentes linguagens, territórios e histórias, e que mantém viva a força da memória que sustenta o espírito do festival.
PREMIADOS E HOMENAGEADOS
2025
• Joseny Santos — Brasil, Pará — Poéticas das Gambiarras
• Joel Antônio dos Santos — Brasil, Pará — Estéticas de Guerrilha
• Paulo Miranda — Brasil, Pará — Tecnologias do Possível
2022
• Arthur Leandro — Brasil, Pará — Prêmio Mis En Scene
• Paulinho Fonteles — Brasil, Pará — Prêmio Experimental
• Gabriel Pimenta — Brasil, Pará — Prêmio Animação
• Paulo Paulino Guajajara — Brasil, Pará — Prêmio Longa-Metragem Documentário
• Irmã Dorothy — Brasil, Pará — Prêmio Longa-Metragem Ficção
• Dema — Brasil, Pará — Prêmio Média-Metragem Documentário
• Marga Rothe — Brasil, Pará — Prêmio Média-Metragem Ficção
• Jaime Teixeira — Brasil, Pará — Prêmio Curta-Metragem Documentário
• Paulo Fonteles — Brasil, Pará — Prêmio Curta-Metragem Ficção
• Isa Cunha — Brasil, Pará — Prêmio de Direitos Humanos
• Egídio Sales — Brasil, Pará — Prêmio Melhor Filme Educativo
2020
• Arthur Leandro — Brasil, Pará — Grande Prêmio de Documentário
• Padre Bruno Sechi — Brasil, Pará — Grande Prêmio de Longa-Metragem
• Cláudio Cardoso — Brasil, Pará — Grande Prêmio de Média-Metragem
• Egídio Sales Filho — Brasil, Pará — Grande Prêmio de Curta-Metragem
2016
• Grande Prêmio de Direitos Humanos
— REALIZADORES HOMENAGEADOS
• Júlio Silvão — Cabo Verde — (2015 / 2016 / 2025)
• João Sodré — Portugal — (2015)
• Sérgio Péo — Brasil — (2021)
• Sério Fernandes — Portugal — (2021)
• Ana Tinoco — Portugal — (2021 / 2022)
• Vicente Cecim — Brasil — (2022)
• Sérgio Santeiro — Brasil — (2022)
• Paulo Miranda — Brasil — (2025)

#ParaTodosVerem – Audiodescrição
Card digital do 10º Festival Internacional de Cinema do Caeté.No topo, em letras estilizadas, lê-se o nome do festival. Abaixo, ao centro, há o logotipo do FICCA: um desenho simples de uma cadeira de diretor de cinema.
À esquerda e à direita da imagem, aparecem duas coroas de folhas em tom dourado, lembrando louros de premiação.
No lado esquerdo, estão listados três filmes e seus realizadores:
“João Maria, um profeta da Pedreira”— SINVAL SANTOS, ROSIRIS MENDES, SOLANGE FERNANDES, ADAMOR MARQUES e FLÁVIO OLIVEIRA— Origem: Brasil – Pará – Belém
“8 de Março – O Dia da Queima na Delegacia”— CRISTIANE CHAVES— Origem: Brasil – Pará – Tracuateua
“Onça”— KEYCI MARTINS— Origem: Brasil – Maranhão – Itapecuru Mirim
No lado direito, aparecem três prêmios especiais do festival:
Prêmio Estéticas de Guerrilhas— Homenageado: Joel Antônio dos Santos
Prêmio Poéticas das Gambiarras— Homenageado: Joseny Sanggos
Prêmio Tecnologias do Possível— Homenageado: Paulo Miranda
Na parte inferior, ao centro, há uma ilustração de uma figura humana estilizada dançando, com elementos coloridos que lembram fitas e um adereço de cabeça inspirado em cultura tradicional amazônica.
---X FICCA – Festival Internacional de Cinema do Caeté – Ano 10
Projeto aprovado pelo Edital n° 005/2025 – Fomento à Circulação de Projetos Culturais (PNAB), Segmento Patrimônio Cultural Material, com apoio do Ministério da Cultura e da Secretaria de Cultura do Estado do Pará (SECULT/PA)
REALIZAÇÃO: Governo Federal/Ministério da Cultura; Governo do Pará/Secretaria de Cultura/Fundação Cultural do Pará, através da PNAB e Lei Semear
PATROCÍNIO: Fundação Guamá, Parque de Ciência e Tecnologia - Guamá; Instituto Sustentabilidade da Amazônia com Ciência e Inovação; e Casa Poranga e de Seu Rompe Mato
APOIO CULTURAL: Multifário; Associação Remanescentes de Quilombolas do Torre/Tracuateua; Grupo de Pesquisas Perau-PPGArtes-Ufpa; Academia de Letras do Brasil; ALB-Bragança; Henrique Brito Advocacia
APOIO INTERNACIONAL: Livraria Independente Gato Vadio (Porto); BEI Film; Escola Superior de Teatro e Cinema - Instituto Politécnico de Lisboa; Associação Nacional de Cinema e Audiovisual de Cabo Verde; Fundação Servir Cinema Cinema - Cabo Verde
PARCERIA: BRAGANÇA: Prefeitura e Secretaria Municipal de Cultura; CVC; Projeto Aluno Repórter; Hotel Pousada de Ajuruteua; Pousada Casa Madrid; Pousada Aruans Casarão; Mexericos na Maré; Paróquia de São João Batista; Restaurante Cantinho da Vilá; Restaurante São Benedito; Restaurante Benquerença; Nossa Casa da Praia; AUGUSTO CORREA: Prefeitura e Secretaria Municipal de Cultura; Escola Lauro Barbosa dos Santos Cordeiro - Patal; EMEF André Alves – Nova Olinda. Cineclube Urumajó; Cineclube Uru PRIMAVERA: Vereador Waldeir Reis; Espaço Cultural Casa da Vozinha; Associação dos Produtores de Guarumandeua; Associação dos Agricultores de Siquiriba; QUATIPURU: Monóculo da Vovó; Associação Quilombola de Sacatandeua; ANANINDEUA: Centro Cultural Rosa Luxemburgo; BELÉM: Escola República de Portugal; Escola Madalena Raad; Cordel do Urubu; Vagalume Boi Bumbá da Marambaia; Cine Curau; Casa do Poeta Caeté.
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COORD. PEDAGÓGICA: ROSILENE CORDEIRO / MARCELO SILVA
COORDENAÇÃO: Francisco Weyl
COORD. PRODUÇÃO: Roberta Mártires
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